segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Sobre Política ...

.
Minha opinião não é propriamente edificante e certamente não elogiosa, nem para a atividade nem para a classe política. De todos os lugares e de todos os tempos, diga-se de passagem. Mas apesar desta afirmação, acho tudo que acontece na política, como perfeitamente natural.
.
Vou tentar explicar. Extrai de uma enciclopédia a definição de que a política é "a ciência e a arte do poder". Cito esta definição com bastante ironia : não acho que a política seja uma Ciência digna do nome, e certamente, não tem nada parecido com a sublimidade da Arte. Sim, haverá técnicas (ou melhor dizendo subterfúgios) que se aprendem em corredores, observando os mais velhos ou conseguindo sobreviver .... Mas chamar esta "tecnologia" de ciência e arte, eu diria que é mais uma manobra "política" tentando dar um valor a esta atividade milenar!!
.
Mas não resta a menor dúvida que a busca do poder é o objetivo fundamental e primordial dos políticos, e de como consegui-lo e mantê-lo acima de qualquer outra coisa. Não tem a nada a ver com ética, moral ou humanidade. Ou serviço ao povo ou à Nação. A ambição do político não é trabalhar ou lutar para produzir resultados para seu pais. A ambição do político é lutar para se manter no poder.
.
Os políticos vivem e sempre viveram do expediente básico de conseguir resultados, independente de moralidade ou coerência (é uma atividade extremamente pragmática a política). Na sua busca de poder, tudo é válido. Crimes, assassinatos, tramóias financeiras, traições, etc .. A História está repleta de exemplos. Obviamente, obter recursos e dinheiro é fundamental para manter e firmar o poder. Outra vez, por quaisquer meios. De preferencia, os mais fáceis> Por exemplo, a corrupção, ao nível político, é muitíssimo comum : basta acompanhar os noticiários políticos internacionais.
.
Deturpação ou manipulação de fatos, então, é apenas uma brincadeirinha! Mentir só é errado, se você for pego! Ou não conseguir enrolar! Vale tudo. Até a aparência da honestidade, do trabalho em favor do povo, e inclui sobretudo as promessas de campanhas, as ideologias e os acordos partidários. Nada disto, em si, tem a menor importância, o que importa é quanto vai contribuir para conseguir ou manter o poder. Será esquecido na primeira oportunidade em que se perceber que não vai contribuir para o objetivo fundamental. Promessas de campanha e plataformas partidárias são para angariar votos. Angariou votos, pronto, joga-se no lixo.
.
Não estou me referindo a nenhum partido em particular. Vale para todos. Não estou me referindo a nenhum país. Vale para todos. Vale para os quadros das igrejas também, na medida em que se envolvem na política.
.
Os que entram na política com boas intenções e não entram na roda, serão rapidamente evictos, retirados do jogo.
.
Já me foi dito que existem exceções. Não conheço e eu até me atreveria a dizer que estas exceções são pessoas que disfarçam melhor que a maioria, que conseguem transmitir eficientemente uma imagem positiva e simpática, que tem mais traquejo, que não entram em acordos facilmente porque sabem que seus "aliados" os trairão na primeira oportunidade que lhes for de interesse. Ou se entram em acordos, o fazem de uma maneira que não poderão ser revelados.
.
Sim, eu acredito na generalização da canalhice no ambiente político!! Porque, em minha visão, a política é podre em sua base estrutural intrínseca, de por sua própria natureza.
.
Agora, resta uma pergunta inteligente que um amigo ponderado me fez : Qual é a alternativa?
Não tenho resposta (ele também não, por sinal) e realmente, não faço idéia. Parece óbvio que os homens precisam de alguma forma de auto-administração para continuar vivendo em sociedade. E que portanto continuaremos a ter governos e políticos.
.
Falar em rearmamento moral, que seria uma solução, é muito poético já que a Humanidade está muito longe de ter condições para um progresso moral efetivo.
.
Houve uma época em que havia grupos defendendo o anarquismo como sistema de governo (Aurélio = teoria política que preconiza a substituição do Estado pela cooperação de grupos associados.). A primeira vista, isto me parece igualmente ineficaz e duvido que possa funcionar .... a prova é que ninguém conseguiu implantar, até hoje.
Se bem que pela desorganização, alguns governos não ficam muito longe da anarquia! {risos}

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Osho e a oclocracia ....

.
Osho é sempre instigante. Nem sempre dá para aceitar suas teorias ou concordar com ele mas ele sempre fornece material para reflexão.

Em um dos seus livros, ele discorre sobre política.

Osho não gosta muito de política .... Ele diz que a maioria dos políticos ainda permanece ao nível instintivo.

E a este nível, "a política não passa de 'a força é o certo' {ou seja} : a lei da selva". {O político instintivo} "não acredita em nada a não ser em ser vitorioso. Sejam quais forem os meios para ser vitorioso, ele usará".

E termina o capítulo, dizendo "O que existe hoje como democracia, não é democracia : é oclocracia ...". Para quem não sabe, como eu também não sabia, oclocracia é o domínio da plebe.

O domínio da ralé e de seus "valores". A valoração da falta de cultura, da falta de instrução e da falta de preparo, o pedestal para o enriquecimento pessoal, não importando os meios para alcançá-lo.

Os valores esdrúxulos, a impunidade do crime "necessário" e da mentira deslavada, e do "me engana que eu gosto", a preponderância da bravata, a predominância do oportunismo sobre o planejamento, a supremacia da bajulação e da demagogia sobre o pensamento correto, etc ...


A História é um repositório impressionante de quantas vezes isto já aconteceu. E vai se repetindo em tudo quanto é lugar neste mundo.

Existe mesmo uma faceta da cultura, profundamente arraigada na humanidade, que prefere ignorar, frequentemente aceita ... e as vezes, até aplaude, tacitamente, a corrupção. É chocante!!! Como dizia um colega de universidade, ficar rico trabalhando, qualquer um consegue ... quero ver ficar rico sem trabalhar!!

Introdução

Meu pai que era muito sábio, dizia que não era prudente e não se devia nunca discutir nem religião nem política. Ele se referia a discutir crenças, figuras públicas ou conteúdos ideológicos.

Faço minha esta filosofia. Não que eu não tenha minhas opiniões e minhas posturas.

Mas há muita diversidade nestes campos, muitas variantes de filosofias pessoais, enfoques e expectativas individuais, condicionamentos sociais e culturais, etc ... e sobretudo, posturas emocionais. Não dá para discutir posturas emocionais, simpatias e preferências pessoais, muitas vezes sem a menor justificativa racional ou conhecimento suficiente das personalidades envolvidas ou de suas motivações reais. (Não dá para confiar na imagem divulgada dos candidatos nem nas motivações declaradas em campanha.)

Há muita cobrança na cabeça da maioria das pessoas, todo mundo quer alguma coisa, espera alguma coisa dos governantes. É fácil dizer que não fizeram nada ou não fizeram o suficiente, se não fizeram o que estas pessoas especificamente esperavam deles.

E como cada um julga na sua esfera de interresse, não existe meio de estabelecer um consenso..

As vezes o que os banqueiros querem não é aquilo que os industriais desejariam, aquilo que os industriais almejam pode não agradar aos sindicalistas, aquilo que as confrarias da educação exigem podem não ser consistentes com os recursos que os financistas julgam razoável liberar, e assim por diante. Um governante não consegue agradar (plenamente) a todo mundo.

Afora isto, sob qualquer hipótese, acredito que seja muito difícil julgar a ação de um chefe de estado, nós não conhecemos de fato o tamanho e a dificuldade da sua tarefa, a natureza das pressões de toda sorte e de inúmeras origens a que ele fica sujeito - algumas das quais, possivelmente, nunca vêem ou virão a público.


Inclusive, o que parece falta de ação de um homem público pode ser apenas o indício do que ele conseguiu evitar .... e que obviamente não tem o mesmo glamour, mas pode ser de suma importância.
.